BLOG // CENTRAL DE TROCA DE IDEIAS

A NOVA GERAÇÃO DA PUBLICIDADE

Em contraste com a velha publicidade, cresce uma geração que decidiu produzir o conteúdo que gostaria de consumir.

Já é realidade que a fórmula da velha publicidade – aquela idealizada do comercial de margarina – vem sendo repensada e está passando por um processo profundo de realinhamento honesto com a realidade e as questões que atravessam nossa sociedade atual. Por “velha publicidade”, estabeleceremos que estamos falando sobre aquelas campanhas que não tinham a menor preocupação em serem inclusivas e respeitosas quanto à diversidade étnico-racial, sexual e cultural brasileira, por exemplo ​— ​além de reforçarem estereótipos e discursos machistas, racistas ou lgbtfóbicos.

Os tempos estão mudando e as pessoas estão reivindicando cada vez mais seus espaços e a propriedade dos discursos que estão sendo criados. As agências e marcas estão correndo para acompanhar os novos diálogos que, com a expansão da internet, estão ainda mais acelerados. Uma pesquisa recente da Kantar apontou que 7 em cada 10 consumidores não se sentem representados na publicidade. O que é bem preocupante visto a quantidade de cifras que são investidas em tantas campanhas todos os dias.

Nesse contexto, é evidente que as ideias, os estudos e os insights precisam se voltar com mais força para as ruas e para a vida real dos consumidores. E mais do que isso, é preciso que as estratégias sejam criadas também por pessoas que vivem as realidades propostas nas campanhas. Não é a toa que estamos em um momento efervescente de debate sobre a necessidade do aumento de diversidade nas equipes. Entendemos que ainda que haja pessoas extremamente empáticas, uma equipe majoritariamente de pessoas brancas de classe média não é capaz de falar com propriedade por todas as inúmeras realidades que existem no Brasil. E reconhecer esse fato é, além de honesto, muito inteligente em termos de negócio.

Estamos vivendo uma onda incrível de surgimento de coletivos artísticos, produtores independentes e novas agências que estão buscando reestruturar os processos de criação, repensar a formação e a diversidade de suas equipes e, principalmente, criar possibilidades de construção de novos imaginários para grupos histórico e sistematicamente marginalizados. Esse caminho de mudança é árduo e longo para todos, mas sobre assuntos urgentes não há espera. E é de celebrar que temos uma geração e uma juventude se movimentando para criar suas próprias alternativas e fazer uma publicidade mais autêntica e alinhada a vida real.

Esses movimentos autônomos estão nascendo principalmente por profissionais que buscam flexibilizar os processos, dinamizar os protagonismos e humanizar cada vez mais as marcas colocando pessoas reais para falar sobre suas vivências e assim trazer mais verdade para os discursos, por exemplo. A internet, nesse processo, continua sendo uma ferramenta e plataforma essencial para expansão e disseminação desses criativos e produtores de conteúdo que já estão sendo enxergados e contratados pelas marcas para somar em suas campanhas por trazerem, com ousadia, originalidade ao criar novas formas de vender produtos ou serviços e, mais do que isso, colaborar na construção identitária de seus consumidores ao apresentar propósitos de vida.

// RAFAEL RODRIGUES

Creative Filmmaker na JACKFRUIT

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *